sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Como deve funcionar uma ETAR...

Uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) corresponde a uma infra-estrutura com a função de despoluição de cursos de água para onde, diariamente, são canalizados através das redes de esgotos, grande carga de efluentes poluentes de forma quase ininterrupta. Estas estações, normalmente localizadas no troço final de um curso de água, recebem de forma contínua os resíduos líquidos urbanos canalizados através da rede pública de esgotos. O tratamento desses efluentes é baseado num processo de três fases, juntamente com um tratamento de lamas. O tratamento terciário não se verifica na grande maioria das ETAR’s uma vez que nesses casos o tratamento secundário assegura a boa qualidade da água, não sendo necessário recorrer a essa última fase.

O tratamento primário pode ser subdividido em duas fases. Inicialmente, é feita a remoção dos flutuantes sólidos através da utilização de grelhas e crivos grossos, procedendo-se posteriormente à separação da água residual das areias e gorduras, a partir da utilização de canais de areia. De seguida procede-se ao pré-arejamento, equalização do caudal, neutralização da carga do efluente, a partir de um tanque de equalização e, posteriormente, procede-se à separação de partículas líquidas ou sólidas, através de um processo de floculação (adição de substâncias que permitem a formação de flocos de matéria residual, para que seja mais fácil a sua remoção) e sedimentação, utilizando um sedimentador. As lamas resultantes deste tratamento são sujeitas, separadamente, a um processo de digestão anaeróbia num tanque céptico.
O tratamento secundário diverge normalmente de estação para estação podendo recorrer-se a dois métodos distintos de tratamento biológico, os quais são:
  • Tratamento aeróbio, onde se podem utilizar, dependendo da característica do efluente, tanque de lamas activadas (o ar é insuflado com um arejador de superfície), lagoas arejadas com macrófitos, leitos perculadores ou biodiscos;
  • Tratamento anaeróbio, onde podem ser utilizadas as lagoas ou digestores anaeróbios;

Na maioria das ETAR’s, o tratamento secundário é aeróbio, sendo por isso necessário promover o seu arejamento. Quando é utilizada esta técnica, o efluente contém, depois de concluído o tratamento secundário, uma grande quantidade de microorganismos que deverão passar por um processo de sedimentação nos chamados sedimentadores secundários. Depois de concluído o tratamento secundário a água contém, geralmente, níveis muito insignificativos de poluição, pelo que está já em condições de ser novamente lançada no meio ambiente receptor. Tal não deverá acontecer, no entanto, sem se efectuar a desinfecção das águas no que diz respeito aos níveis de fósforo e azoto, para evitar situações de eutrofização nos cursos de água receptores.
A realizar-se, o tratamento terciário deverá processar-se em tanques de arejamento, sendo adicionado oxigénio e microorganismos que irão decompor qualquer impureza que ainda persista. Este processo transforma essas impurezas em lamas, as quais serão tratadas em tanques específicos para serem novamente filtradas. Finalmente, na recta final do tratamento, a água residual é submetida a radiação ultravioleta, de modo a eliminarem-se, por completo, os microorganismos que possam subsistir. Terminado todo este processo, e se realizado nas devidas condições, o efluente estará pronto a ser lançado no curso de água, sem que para este advenha qualquer efeito poluente.

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